Desequilíbrio entre as porções superior e inferior do músculo trapézio pode causar impacto subacromial.

Um artigo na revista Physical Therapy in Sport, (link) discutiu o desequilíbrio de atividade muscular entre o trapézio superior e inferior, associando com o impacto subacromial do ombro.

Os autores estudaram a atividade eletromiografica do trapézio superior e inferior em pessoas com e sem a síndrome do impacto do ombro. Os resultados mostraram que os indivíduos com impacto subacromial tiveram uma grande diferença na razão de ativação entre as porções do trapézio, comparado com o grupo controle. Nesse trabalho teve uma diferença no número de indivíduos nos grupos (16 com impacto e 32 controles), sendo esta, uma limitação do trabalho.

Indivíduos assintomáticos tem uma razão de ativação entre as porções superior e inferior de 1.8 enquanto indivíduos com impacto subacromial tem tem uma razão de 3.15. E isso quer dizer que o trapézio superior é 3 vezes mais ativo que o trapézio inferior durante uma elevação de braço em pacientes com impacto subacromial. Isso foi um achado com diferença estatística.

Implicações clínicas

Os autores também avaliaram se o uso de uma bandagem poderia alterar este desequilíbrio, eles observaram que a bandagem diminuiu a ativação do trapézio superior, porém, o trapézio inferior permaneceu o mesmo. Mesmo com a tentativa dos autores de usar a bandagem para alterar este desequilíbrio temos que pensar que esta alteração existe por uma razão, e temos que nos concentrar nestas seguintes diretrizes clínicas:

Fortalecimento do trapézio inferior, área comum de fraqueza nos problemas de ombro.

Educar o paciente durante os exercícios a contrair o trapézio inferior e não o superior ao elevar o braço. Isso acontece o tempo todo. Eu vejo os pacientes tentando “retrair” as escapulas durante os exercícios e inevitavelmente no final sempre com a predominância do trapézio superior. Quando instruir ao paciente “retrair” ou “pinçar” as escapulas, a ênfase é em levar as escapulas para traz e para baixo. A maioria das pessoas encolhem o ombro para traz e para cima se não forem instruídos corretamente.

Temos que considerar também a síndrome do cruzamento. Este conceito é extensivamente discutido nos trabalhos do Janda e Chaitow. A inibição do trapézio inferior está associada com a inibição dos flexores profundos do pescoço e dos encurtamentos ou tensões do peitoral, trapézio superior e músculo levantador da escápula. Na tentativa de tratar apenas uma parte deste desequilíbrio, provavelmente, resultará em um resultado não satisfatório. Quando você olha as imagens a baixo, não é difícil de entender o porque é tão prevalente na população em geral.

Smith, M., Sparkes, V., Busse, M., & Enright, S. (2009). Upper and lower trapezius muscle activity in subjects with subacromial impingement symptoms: Is there imbalance and can taping change it? Physical Therapy in Sport, 10 (2), 45-50 DOI: 10.1016/j.ptsp.2008.12.002

Traduzido e adaptado de www.mikereinold.com

Link – http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1466853X0800148X

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